31.1.08

Gramática da Argamassa


Olha, nunca entendi os pedreiros e suas elaboradas construções frasais praticamente sem consoantes. Eu, SINCERAMENTE, gostaria saber se eles se entendem. Porque, se não bastasse não ter consoantes, eles têm um poder de síntese incrível. Um simples “auê ia oei” pode significar “bota um pouco mais de argamassa, senão ela não vai ter liga”. E quando o assunto é longo mesmo, bueno, me convenço de que eles têm um dialeto.

- Óia a uié aí, ô êa!
- Iiih, aim u éi ão ai u éu!
- Aaaah, iô. Ióia ueião eão! Oça Sóa!

(Você leu numa veocidade X. Eles falaram numa velocidade 5X.)

Tradução hipotética:

- Olha a mulher ali, ô besta!
- Ih, assim o véio não vai pro céu!
- Ah, Zinho! E olha os peitão então. Nossa Senhora!

AH! Me dei conta de uma coisa.

Numa novela dos anos 90 (acho que era Renascer) a trilha de abertura certamente foi composta por um pedreiro, afinal não se entendia NADA. Ela dizia (não sei o que) assim:

"Aiá cariá
Ilê ilê ilá
Aiará cari areia"

Olha a areia no final. Sem dúvida foi um pedreiro. E amigo do Ivan Lins.

Por coisas desse tipo que, num site sobre construção civil, encontrei isso.

Enchi o saco.

30.1.08

Auto fucking Escola - 5

Depois de 5 posts e 1 comentário, chega ao fim a saga.

NOTA: 28.

Enchi o saco.

24.1.08

Auto fucking Escola - 4

E segue a saga.



Bem, o mundo não acabou. Mas as aulas teóricas da auto escola foram, pelo menos, uma ótima representação do apocalipse: tortura, ânsia, fuga, desespero, nojo, monstros, sacrifício, e, claro que não poderia faltar, o juízo final. Claro, a merda da prova teórica.

Fora o fato de ter que acordar às 7 e meia da madrugada pra fazer a prova, o tata aqui teve que enfrentar uma mega e sinuosa fila no Freak Show District, vulgo Centro. Acho que eu havia comentado que me sentia voltando à 4ª série num post anterior. Pois é, quando eu tive que responder (não encontrei palavra melhor) um ditado, apenas confirmei que eu estava de fato na escolinha. Era algo como “Vovó viu a uva e violentou a vulva.”

Bueno, prova em mãos, dedos sujos e começa o juízo final. E paguei os pecados por falar mal dos velhos, professores, gordas e etc, etc. Explico:

Enquanto os simulados me perguntavam se eu tinha que matar uma criança ou respeitar as placas, a prova me perguntava como agir se o guarda levantasse o braço direito, peidasse pra esquerda e estivesse com a barba por fazer. Enquanto o simulado perguntava se eu deveria vomitar na cara de um acidentado ou chamar os médicos, a prova perguntava a fórmula da droga que cura a Sífilis. Piadinhas escrotas à parte, a proporção era mais ou menos essa.

Enfim, terminei a prova e estou aguardando ansiosamente o resultado. Vocês logo saberão. Aguardem.


PS: Não postei o restante das aulas porque enchi o saco. Mas elas continuaram irritantemente iguais.

16.1.08

Auto fucking Escola - 3

Continuando minha entediante aventura pela auto escola. É a segunda aula.
Oi, Ana!



SEGUNDA AULA



Bem, pra minha surpresa, o professor havia mudado. Agora era uma mulher. Também com a mesma expressão, só que com mais pose. Sentia-se o cheiro da auto-confiança a 5 km dali. E do creme de pentear dela também: tinha um cheiro enjoado, parecido com o de jasmin. O cabelo crespo brilhava de tão oleoso. Com o calor daquele dia, calculo que dava pra fritar uma batata naquela cabeça. Os dentes eram de cavalo, com um centro-avante vestindo a amarelinha. Aliás, ela deve se incomodar muito com os olhares pra boca dela. Aquele dentão amarelo realmente salta aos nossos olhos. Bueno...

Ela começou a aula bem comportada. Careta. Blábláblá legislação, nehco-nheco 5 pontos na carteira e PÁ! Ela resolve mostrar sua verve de professora cafona. E solta a originalíssima piadinha quebra-gelo: “Vocês estão muito quietos. Eu não gosto de turma assim, viu!?”. Eis que uma das coroas que sentavam na frente esperando o voz de vibrador fica toda espevitada: “COMO ASSIM?! A SENHORA [pffffffff!] QUE TA TODA FORMALZINHA! TE SOLTA, MULHER!”

Mein gott! Os gordinhos se mijavam de rir. E a discussão continuou amigavelmente: “Ah é!? Então tá bom...


[silêncio fúnebre]


... ALIÁS, vocês duas podem descruzar as pernas que eu não quero mais ficar vendo essas calcinhas horríveis!”

Bueno, a gracinha tava com uma expressão de quem tinha ouvido “vai tomá no teu cu, ô vadia! e vai sentá num pau bem roliço”. Pr’uma aula de auto escola talvez tivesse esse efeito. Não sei, mas eu gostei do barraco. As mulheres levaram na brincadeira e a aula continuou regada pelo ótimo senso de humor da prof com aquelas piadas de tio chato. Exemplos:

1) Caiu uma moeda no chão: “Ah, tá sobrando aí? Me dá que eu to precisando.”

2) Ela dava exemplos de cidades onde apareciam multas fantasmas: “Ainda bem que não vem Anta Gorda”

Todos riam MUITO delas. Eu chorei (inclusive pelos poros) até o final.

15.1.08

Auto fucking Escola - 2

Pra quem não sabe, estou postando minha epopéia na auto escola.
Lá vai:

PRIMEIRA AULA

O professor tem expressão de oráculo. Também é metido a charmosão. Entrou na sala, passou os olhos pela turma e deu um sorrisinho de canto de boca largando os materiais em cima da mesa.

“Quem aqui tá fazendo renovação?”

“eu, EU!!!, EEEEEEU!, opa!, aqui!, EEEEEEEEEEEEEEEEEEEEUUUU!”

Na frase acima dá pra identificar quem são as três coroas sedentas e problemáticas da turma. Ali eu senti que teria problemas: uma querendo aparecer mais que a outra.Com aquela voz grave e aveludada do professor, imaginei que aquelas vibrações encontravam ressonância naqueles clitóris há anos não massageados. Me deu nojo.

A aula seguiu com o professor ensinando coisas básicas. Na verdade, coisas ridículas de tão básicas. MAS os gordinhos, com uma astúcia tamanha, encontravam perguntas. E as mulheres brincavam com cada palavra com duplo sentido proferida pelo Mestre do Trânsito. Enfim, com isso o tempo não passava e a “matéria“ não andava. Concluí, com raiva e triste, que minha sina era ficar ali sentado vendo o show de horrores e suando até às dez e meia da noite.

Como todos sabem, no fim da aula recebemos um simulado. O que era pra ser um final arrasador, foi o que deu uma guinada no meu ânimo. Eu simplesmente gargalhava com algumas opções (foi a única vez que ouviram a minha voz, por sinal). Futuramente farei um post brincando com essas questões.

A aula acabou e corri pra casa pra ver o BBB8. Não deu tempo.

14.1.08

Auto fucking Escola - 1

Todo mundo que entra nesse blog, (oi, mãe. oi, amor.) já deve ter passado pelo que eu to passando: aulinhas teóricas da auto escola.

Vou narrar o que aconteceu de mais (ir)relevante naquele cubículo aula por aula. Como ainda não tive tempo pra fazer isso, vou postar a primeira e a segunda aula juntas. Prometo que as próximas virão de acordo com o andar da carruagem.


ISSO ACONTECE TODOS OS DIAS


Cansadaço do trampo, entro no CFC Atlântica na Ramiro. Pergunto onde é a sala e a funcionária, com o rosto seboso e pinguinhos de suor no buço, aponta pra escadinha “Sobe por ali. É no fim do corredor” (claro que não pergunto todos os dias, mas ela sempre me sorri quando entro, deixando uma salgada gotinha deslizar pela marca de expressão do sorriso no canto da boca). São 6 e 35 e acho que to tri atrasado. Subo a escada correndo, passo por uma sala de espera onde tem uma velha esperando o exame médico, e vejo a portinha no final do corredor com a inscrição “SALA DE AULA”.


ACONTECEU NO PRIMEIRO DIA

Caminhando em direção à sala, fiquei imaginando uma série de ninfetinhas-de-18-anos-que-passaram-na-ULBRA-e-ganharam-um-carro sentadas impávidas com seus decotes que são um apenas um lindo palco praqueles peitos gig...abri a porta: três velhas suadas olhando TV e um cara por volta dos 45 anos (imaginem as velhas), com cheiro de graxa e uma pança espremida pelo braço da cadeira, e que só faltou me chamar de filho da puta e soltar um catarro na minha cara pelo olhar e pela postura de classe com que ele se esparramara naquela cadeira. Com exceção de mim, um guri e uma gracinha de menina, os demais que vão entrando se encaixam nesse perfil. A sala é um cubículo e o arcaico e barulhento ar-condicionado não dá conta. A aula vai começar.

Enchi o saco de escrever. Sinal de que vocês encheram de ler. Amanhã posto as intermináveis aulas.

15.11.07

Poesia Curta

O desafio de fazer títulos e textos publicitários é dizer uma verdade pro público com alguma idéia que cause impacto. E, em geral, quanto menos tu disser, melhor. É mais impacto. Por isso gosto daquelas frases ditas por celebridades, filósofos,loiras do Tchan. Daí vem também meu apreço por poesias curtas. Mas curto afu as poesias normais também. Neruda e Drummond que me perdoem se falei lixo. Mas que tenho um apreço especial pelas poesias curtas, ah, eu tenho.

Aí vai uma que fiz durante um brain prum concurso da ALAP, que pedia uma peça contra abuso do trabalho infantil.

¢

Rua Escura, 5:34 am

Criança não quer acordar cedo.
Quer brinquedo.
Não quer medo.
Nem emprego.
Às vezes nego.
Muitas vezes nêgo.